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Sobre o Problema da Mente Aberta


O termo “mente aberta” é muito presente em nosso vocabulário, e facilmente observável em uma conversa informal, ou até mesmo em assuntos um pouco mais sérios, usado como incentivo a uma ação, ou um elogio a uma pessoa. Uma pesquisa rápida na internet irá revelar o significado de fato, com algo como isso:
"Ser racional, livre de preconceitos, capaz de ouvir opiniões contrárias às suas e ponderar sobre elas” 

Parece um significado nobre; mas como a maioria dos termos, quase nunca possui o sentido correto empregado praticamente. Normalmente é empregado como termo de aceitação forçosa, como se algo fosse imposto sobre o sujeito, e para que seja aceito em tal meio, é forçoso que o “mente aberta” acate com os termos sugeridos; como uma ideologia, ou um produto qualquer. Bom, o termo mente aberta tratado assim, e mesmo o termo em definição apresentada, irão inevitavelmente ter atrito com a seletividade. Analisemos, o que é ser racional? Ora, fazer uso da ratio, a razão, o ato de inteligir sobre algo, isto é ser racional. O que é ser livre de preconceitos? É desconhecer algo, ou pelo menos, de algo que remeta à, por semelhança, ou qualquer ligação do tipo; a partir do ponto em que, se conhece algo por semelhança (como um gênero musical próximo a outro), já há um conceito prévio de tal. Ser capaz de ouvir opiniões contrárias é algo intrínseco à educação, visto que o mundo não possui pensamento homogêneo; se isso não fosse possível, a humanidade simplesmente não existiria mais a algum tempo.

Só por isso, já há uma pequena falha de definição, visto que, simplesmente é impossível ser livre de preconceitos em totalidade, a não ser que se restrinja o termo a um objeto em específico; e ouvir e opiniões contrárias, junto a ser racional, são intrínsecos ao ser humano. Então, qual é o problema? Bom, ser mente aberta em termo corrente, é simplesmente aceitar a tudo como se não soubesse o que é; uma simulação de “ não preconceito”. Imagine uma pessoa que já ouviu muitas músicas de vários gêneros, e ao ouvir muitas, percebeu seu próprio padrão, seu gosto musical enfim; e enfim, passou a rejeitar tudo o que viesse dos gêneros que não gostou, afim de evitar decepções. Essa pessoa será facilmente taxada de mente fechada, visto rejeitar algo por já ter pré- conceito formado sobre o mesmo. Vimos aqui uma pequena falha, como a entre o aprendiz e o sábio; enquanto um aprende, o outro sabe, e o primeiro naturalmente um dia será o segundo; logo, dentro do termo de não preconceito, seria o mente fechada uma evolução do mente aberta?

Não.

 Pois fechar a mente é fechar a capacidade de aprender; sendo assim, a questão se aproxima ainda mais do aprendiz e do sábio, visto que o sábio em sentido estrito, não existe em totalidade, mas em termos; logo, o sábio, ou “meio sábio”, sempre será meio, pois precisa conservar sua capacidade de aprender, visto que se não sabe tudo, sempre haverá algo a aprender.
Sendo assim, o pré conceito não é o sentido pejorativo com o qual usamos ( normalmente usamos como termo para preconceito racial, e não é sobre isso que estamos tratando ), é apenas parte do processo de seletividade; ora, como um gênero literário, onde se percebe que não se gosta de poemas, logo se passa a evita-los; isso é a seletividade, o conceito formado, a certeza de que algo deve ser evitado ou buscado, assim como nos exemplos anteriores, um gênero literário ou musical queridos, que passam a ser buscados a fim de obter prazer.
Ora, a pessoa que atingiu algum grau de seletividade, não é necessariamente mente fechada, ela apenas concluiu sua preferência via conceito. Sendo assim, podemos ver os problemas que a definição corrente de “mente aberta” acarreta.
O termo é comumente usado por pessoas que julgam a si mesmo mente aberta, o que é facilmente observável; comum entre tribos urbanas, buscando normalizar seus trejeitos, ou estereótipos próprios, ou mesmo fora delas, e qualquer um que já possua um conceito estabelecido do trejeito, poderá ser facilmente taxado de mente fechada; como uma pessoa que rejeita uma ideologia, ou um ilícito, ou até uma música; bom, paralaxe cognitiva mandou abraços por aqui.
Sendo o termo uma imposição de aceitação forçosa, é fácil acusar qualquer um que nega “x’ de mente fechada por obter preconceito sobre “x”, sendo que comumente, a pessoa que oferece “x” possui um conceito muito bem formado sobre o mesmo, e isso não seria uma forma superior de pré-conceito, uma seletividade?
Algo como “eu sei que “x” é bom?". Bom isso poderia facilmente cair na questão de gosto pessoal, o que indiretamente é assunto desse texto. Sendo o termo facilmente aplicado a gostos pessoais, é irônico querer julgar algo relativo de forma absoluta.

“Meu Deus, o Vitor falou de relativos! O mundo deu erro 404”

Gostos pessoais são opinativos, e opiniões são relativas, ao contrário da verdade, mas este é outro assunto, aqui tratamos de gostos relativos em TERMOS absolutos, quando a interpretação foge da objetividade, em outras palavras, algo como isso: ovo = panqueca Um termo com significado definido, sendo usado erroneamente. Não é difícil ver a discrepância de termo definido e termo corrente por aqui.

E, com toda minha educação de pessoa que já foi taxada de mente fechada muitas vezes...
Mente fechada, é o orifício anal de vossa progenitora. <3


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